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A LINGUAGEM DO NOSSO CORPO

A LINGUAGEM DO NOSSO CORPO

Cláudia B. S. Pacheco, Extrato do livro

“A Cura pela Consciência – Teomania e Estresse”

Nosso organismo fala tudo o que tentamos esconder. Muitas vezes, “pensamos” de uma forma irracional. Temos uma ideia sobre algo e, na realidade, sentimos o contrário. A inversão mostra-se através do nosso corpo, quando nos recusamos a conscientizá-la.

 

Uma paciente de 34 anos, solteira, que veio de família pobre e pais muito doentes, após algum tempo de análise, conseguiu evoluir a ponto de reunir recursos para comprar seu próprio apartamento.

No dia em que foi visitar sua nova moradia com o corretor, percebeu que o negócio era-lhe acessível. Saiu exultante de alegria, mas,
após algumas horas, teve uma forte diarreia. Ao analisar o fato, associou o novo apartamento a desenvolvimento, bem-estar e segurança.
“Racionalmente” ela queria muito realizar, fi nalmente, seu sonho, mas, pelo processo de inversão, ela sentia pavor de tudo o que associou ao apartamento (progresso), revelando uma fi el obediência à patologia (ao mal-estar, ao atraso, à insegurança). Tendo percebido isso sua diarreia passou em seguida.

Associação de ideias Outro paciente, o rapaz L. A., de 17 anos, contou, numa sessão, que, depois de um mês de análise, não tinha mais aftas constantemente como antes, nem sonolência, pigarro e caspas. Pedi que fi zesse associações de idéias com esses sintomas e ele respondeu o seguinte:

• às caspas, ele associou sujeira;
• às aftas, dor;
• à sonolência, preguiça;
• finalmente o pigarro (catarro), ele associou à chatice.

 

O doente não tem a percepção clara do que está fazendo e, quando se conscientiza da armadilha, que armou para si mesmo, consegue uma espantosa recuperação em pouco tempo.

 

Na realidade, o processo analítico levou o jovem L.A. a conscientizar todos esses aspectos em sua vida psicológica, o que ocasionou sua melhora. A sujeira das caspas — revelava a sujeira interior que não queria perder (seus maus pensamentos; intenções e atitudes).
A dor era resultado de uma atitude autodestrutiva, de ataque a si mesmo. A sonolência mostrava o quanto era preguiçoso e não queria
admitir. Finalmente, confessou que retirava muito prazer em chatear e agredir os outros.

Outro caso interessante, foi o da cliente S. E., que se dizia sexualmente frígida em relação a seu marido. Inicialmente disse que gostaria muito de ter um bom entrosamento sexual. Com o tempo, foi admitindo que imaginava que seu marido retirava muito prazer da relação, e que ela sentia ódio.

Após as relações sexuais, sequer permitia que ele a tocasse, e evitava ao máximo qualquer aproximação dele, dizendo sentir dores etc. Na
realidade a S. E. sentia muito inveja de qualquer satisfação que seu marido retirasse da vida, inclusive do sexo. Ela preferia privar-se de satisfação, mas se com isso conseguisse sabotar o prazer do seu marido, dava-se por satisfeita.

Aliás, isso é muito comum ocorrer em pessoas que estão sempre doentes — são invejosos que preferem se sacrifi car, mas tentar estragar a vida de quem está a sua volta. E se notam que não estão conseguindo, sua inveja fi ca mais exacerbada, o que lhes desperta profundo
ódio. Daí surgem afi rmações rancorosas como: “eu estou doente, sofrendo, e você nem se importa”, “enquanto eu estava presa a uma
cama, doente e sofrendo, meu marido vivia saindo e se divertia com os amigos”.

Invejosos preferem se sacrifi car para estragar a vida de quem está a sua volta.

A pessoa não nota que ela própria está se causando aquele terrível sofrimento, privando-se da alegria e da vida, por causa de uma inveja muito forte. Culpa o marido e os filhos por não se submeterem a sua intenção de estragar a vida de todos.

O doente não tem a percepção clara do que está fazendo e, quando se conscientiza da armadilha, que armou para si mesmo, consegue
uma espantosa recuperação em pouco tempo.

 

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